Tristeza nao tem fim
Ainda bem que existe o Léo pra me fazer rir, mas hj nem ele está conseguindo... Desde ontem nao tenho forças pra nada. Nem pra fazer as lágrimas ficarem quietinhas aqui dentro. Quando eu acordei no dia 26 de outubro do ano passado, fui abrindo os olhos e tomando consciência de que nessa mesma noite meu filhotinho tinha morrido, e uma tristeza infinita me agarrou, e eu nao podia fazer outra coisa que nao fosse chorar. Até hoje eu lembro disso quando vejo o Léo fazer uma manha desproporcional. Nao sao os grandes que choram igual crianças pra mim. É o contrário. Bom, me perdi, nao era isso que eu queria falar. O lance é que deixar esse veneninho chamado paroxetina dá a mesma sensação de acordar naquele dia: a sensaçao de acordar de um sono ruim pra uma real pior ainda.
Amanhã é meu aniversário. E daí? Nada importa, nada. Queria ganhar de presente esquecer o ano passado, ter uma amnésia, apagar isso tudo. Já nem quero pensar na impossibilidade de pedir ele de volta. Pedir pra quem? Dele, só me sobraram as estrelas, que eu consigo ver só até as lágrimas borrarem tudo. Só me sobraram um pouquinho de cinzas, que eu nao consegui até hj olhar, que foram o meu Guido. Mas sei que alguma hora vou ter que arrumar coragem pra fazer isso. Tenho medo do que vai acontecer nesse dia. Que ridículo final. Nao foi pra isso que eu cuidei dele sete meses, que eu tomei vitaminas, comi com mais cuidado... Pra fazer uma tristeza desse tamanho? Viver com requintes de crueldade, isso é o que está me acontecendo. Nada pior que uma tristeza tao grande que chega a se intitucionalizar. Eu sei que eu tenho que pisar nela como se ela fosse uma formiga que me picou, mas hj eu nao consigo nem levantar o pé.
Mas se eu tive forças pra escrever isso, entao eu talvez consiga fazer pelo menos um pouquinho do que eu tenho que fazer hoje e cuidar um pouquinho da minha vida. Vamos lá, entao...
Escrito por Sil Superciliaris às 13h53
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